
As culturas brasileira e japonesa sempre se entrelaçaram na vida da Manu de maneira natural. Filha de imigrantes nipo-brasileiros, ela sempre quis morar no Japão e sempre manteve o país em seu coração, mesmo sem nunca ter pisado lá.
Em Santa Catarina, seu sobrenome Kobayashi era uma ponte entre dois mundos. Em casa, a língua japonesa se ouvia com certa frequência, principalmente nas conversas familiares, mas na escola, ela se comunicava em português, misturando o samba com o taiko, o arroz com feijão com o sushi e o chimarrão com o matchá. Que mistura boa!
Mas, ainda assim, existia uma forte vontade de chegar lá. De ir para o Japão e conhecer a parte da história que, até então, ela só conhecia através da história de outras pessoas.
Mesmo sonhando em conhecer o Japão desde muito nova, a ideia de se mudar para lá parecia um sonho distante, reservado apenas para aqueles mais corajosos, mais ousados e mais desapegados.
No entanto, quando completou 30 anos, tomou uma decisão: tinha chegado a hora de tentar viver esse desejo antigo. Então, começou a se preparar para isso. A família toda resolveu ajudar financeiramente. Mas, a Manu, tradicional como era, não queria se arriscar tanto. Ela queria ir com uma oportunidade garantida.
E depois de passar quase um semestre tentando, essa chance finalmente chegou até ela. Através de amigos da família, ela teria a possibilidade de um emprego na sua área em Tóquio.
Ao morar no Japão
Ao chegar à capital japonesa, a Manu encontrou desafios, entre eles com a língua, que se mostrava um pouco diferente da forma que ouvia em casa.
Embora ela soubesse o básico do japonês, algumas palavras começaram a parecer um enigma e trouxe certa dificuldade de comunicação no início da sua experiência.
Outro desafio, talvez o mais pesado, era a saudade. A saudade de sua mãe, de suas irmãs, dos almoços de domingo e das festas em casa com os amigos de infância.
As semanas foram passando e a Manu, por diversas vezes, se via sozinha, cercada por uma cultura que, apesar de familiar, ainda parecia um pouco estranha.
Mas, em meio a um turbilhão de sentimentos, a novidade que ela tanto havia esperado estava quase começando. E ela se viu sem tempo para adiar a sua felicidade de trabalhar no Japão.
Decidiu dar a volta por cima, comprar roupas novas e se matricular na academia mais moderna que já tinha conhecido.
Por mais que o período de adaptação estivesse sendo difícil, a Manu não desanimou. Buscou todos os recursos que podia, incluindo a terapia online com uma profissional de sua confiança, desde quando morava no Brasil.
A cada dia que passava, mais ela se sentia em casa e entendia que a saudade não era algo a ser combatido, mas sim acolhido. Também sentia que a mudança para o Japão não representava só uma nova experiência mas, também, um processo de autoconhecimento e descobertas.
Além disso, sabe o que ela descobriu? Que é forte, resiliente e que ainda tem muitos projetos para realizar. E que se sente muito orgulhosa por não ter desistido do seu sonho de conhecer suas raízes profundamente.
Se adaptando à nova vida
Depois de um tempo, a vida tecnológica, a culinária específica e cultura japonesa eram ainda mais parte da vida da Manu, que aprendeu a amar andar de metrô e a usar a tecnologia a seu favor para ficar ainda mais familiarizada com o idioma e para se manter conectada com a família no Brasil.
Quatro anos se passaram desde que ela decidiu morar no Japão. Hoje, se sente muito mais adaptada à nova cultura, embora ainda sinta a falta de sua família e dos sabores do Brasil.
As sessões de terapia online continuam sendo essenciais, pois ajudam a manter sua saúde mental equilibrada. Ela entende agora que, embora o Japão seja um lugar desafiador, ele também é um local que acolhe de formas inesperadas.
Conclusão
Embora nunca deixe de amar o Brasil e suas raízes, ela também aprendeu a valorizar o Japão de uma maneira profunda, sem comparações e sem pressa de voltar. O país de seus avós, com suas tradições milenares, se tornou uma nova casa, onde ela, aos poucos, encontrou paz em sua própria história.
Agora, ao caminhar pelas ruas de Tóquio, a Manu sente que carrega consigo o melhor de dois mundos. O Japão, que antes era apenas uma parte da história de sua família e agora é parte dela mesma. E o Brasil, que continua fazendo seu coração bater mais forte a cada lembrança.
Sim, a saudade será sempre sua companheira, mas agora ela sabe que é possível se sentir em casa em mais de um lugar, onde o passado e o presente se encontram, e onde ela, finalmente, pode se sentir completa.