
Era abril quando Renata se viu em um avião com destino a Miami, sentada ao lado de uma jovem família americana, com duas crianças que dormiam tranquilas enquanto ela, impaciente, olhava pela janela.
O plano de vida que ela sonhava em Belo Horizonte agora parecia um rascunho estranho, quase irreconhecível. Ela sempre quis viver fora do Brasil, mas pensava em lugares como Londres ou Barcelona, cidades com cara de inverno e ruas cheias de história.
Mas, ela sabia que não controlava o destino, mesmo com seus questionamentos constantes sobre ele, que a levou a viver em Miami, uma cidade que é a cara do verão.
A mudança era uma mistura de sonho e necessidade. Formada em administração, passou boa parte dos últimos anos entre trabalhos em multinacionais e pequenas empresas, sempre tentando equilibrar o desejo por estabilidade com a vontade de explorar o novo.
As incertezas de um futuro estável no Brasil, deixou Renata inquieta. Então, quando recebeu a notícia de uma oportunidade de emprego em uma startup em Miami, sentiu que era o empurrão que precisava para tentar algo diferente.
Só que muitas pessoas tentaram desanimá-la, dizendo que isso seria recomeçar do zero. Mas, para ela, o zero já era melhor do que o “quase” que ela vivia.
Chegando em Miami
Chegar a Miami foi um verdadeiro choque. Logo de cara, percebeu que as avenidas tinham um ritmo que não lembrava em nada o que conhecia em BH.
Ali, era como se cada um estivesse em seu próprio universo, transitando com seus carros, indo e vindo de praias ou shoppings enormes. A adaptação ao inglês com sotaque carregado de influências latinas e do jeitinho mineiro de ser, teve suas dificuldades, mas depois entrou nos eixos.
O trabalho na startup trouxe desafios novos. Acostumada com ambientes formais, Renata estranhou o jeito informal dos colegas, as reuniões descontraídas e as apresentações mais modernas. Depois, entendeu que essa flexibilidade era uma das vantagens de viver em Miami, uma cidade onde todos buscavam um pedaço de pertencimento.
Com o tempo, o escritório se tornou um espaço onde ela podia exercitar seu lado criativo, experimentando novas ideias para a sua vida e para a empresa.
Forte, corajosa, destemida. E agora ainda mais bem-resolvida.
Combatendo a saudade
Nem tudo é o que parece. O ponto fraco dessa fortaleza? Seus pais.
Um casal de mineiros simpáticos, donos de uma fazenda em Minas Gerais.
Mesmo com tudo dando certo, por muitas vezes ela quis voltar. A saudade apertava, a Renata chorava e só depois ligava.
E depois chorava de novo. Se sentia sozinha, com dúvidas e com medo. Mas, a vontade de construir um futuro melhor para todos os amores da sua vida, sempre falou mais alto.
Para se manter equilibrada, ela nunca deixou de investir em autocuidado. Terapia, exercícios ao ar livre e uma alimentação saudável, que vira e mexe a deixava com uma vontade enorme de comer um bom pão de queijo com doce de leite, uai!
E assim, a Renata resistia a cada desafio encontrado em viver em Miami. Buscou a sua melhor versão para viver os seus melhores sonhos. E, um ano após a sua chegada, já dominava os detalhes da sua rotina.
Tinha seu mercado de confiança, onde comprava produtos que lembravam o Brasil, e descobriu um pequeno restaurante que servia pão de queijo e coxinha.
Aos finais de semana, se aventurava pelas praias com novos amigos, todos com histórias tão interessantes quanto as dela.
Mas, por mais que estivesse bem, sentia que faltava algo. Ela queria segurança. Queria o direito de estar ali sem a sombra do visto de trabalho, sem a dúvida do “será que fico ou volto?”.
Foi então que começou a ouvir sobre o tão desejado green card, a promessa de viver em Miami de forma definitiva, que dava a sensação de pertencimento que ela tanto buscava. A ideia parecia distante, quase impossível, mas uma amiga americana a incentivou a tentar.
Conseguindo o Green Card
Assim, ela começou a pesquisar as possibilidades e descobriu que, graças ao seu histórico profissional e à necessidade de trabalhadores qualificados na área em que atuava, poderia tentar aplicar para um visto de residência. O processo era longo e exigia paciência, algo que ela sempre teve, mas que agora parecia ser testada ao limite.
Enquanto esperava o resultado do pedido, a vida seguiu seu rumo. Renata continuava investindo no trabalho e, nos tempos livres, se permitia descobrir novas partes de Miami, com seus murais coloridos, cafés descolados e muitos amigos latinos.
Aos poucos, a cidade deixava de ser um destino temporário para se tornar um lar, algo que ela nunca imaginou sentir tão cedo.
E em meio a inúmeras ligações para casa, vídeos e conversas, o tão aguardado e-mail chegou.
Era um fim de tarde de quinta-feira, o sol entrando pela janela do escritório quando o “aprovado” apareceu na tela.
Com o green card encaminhado, Renata sentiu um alívio que até hoje não consegue descrever. E foi a partir daí que tudo mudou, pois ela sabia que poderia fazer planos mais longos e poderia pensar no futuro sem a ameaça de uma possível volta repentina. A conquista não era apenas o documento, mas a chance de finalmente chamar aquele lugar de lar.
Conclusão
Assim, ela conseguiu desenhar novos sonhos, investir em sua carreira e começar a estruturar a sua vida. Passou a participar de grupos para ajudar outros brasileiros que chegavam com as mesmas dúvidas e incertezas que ela já havia enfrentado.
Hoje, sempre que se depara com um brasileiro recém-chegado, sente o desejo de compartilhar a sua história. Sabe que o caminho é longo e que mistura dúvidas e uma boa dose de coragem.
Afinal, ela aprendeu que viver fora do país é, na verdade, viver dentro de si mesma, enfrentando inseguranças, mas também celebrando as conquistas.